Caso Taina: jovem e filha retornam para São Paulo após um mês de sumiço: ‘Aliviado’, diz marido

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Mãe e filha, que estavam longe da família há mais de um mês, retornaram ao interior de SP na noite desta terça-feira (11). Caso é investigado como subtração de incapaz; suspeito de sequestro era foragido por estelionato e está preso.

Taina Queiroz ao lado do marido, Raul Kennedy da Silva, e da filha de 8 meses. A jovem de 18 anos e bebê estavam sumidas desde 3 de novembro — Foto: Reprodução/Facebook

A jovem Taina Queiroz, de 18 anos, e a filha de oito meses retornaram para Pilar do Sul (SP) na noite desta terça-feira (11) após um mês longe da família. A informação foi confirmada ao G1pelo marido de Taina, Raul Kennedy da Silva.

Taina e a filha desapareceram no dia 3 de novembro. O marido suspeitava que elas tivessem sido sequestradas pelo ex-patrão dele, Luis Fernando Lourenço. As duas foram localizadas no dia 1° de dezembro após uma denúncia à polícia do Maranhão e a prisão de Luis, foragido da Justiça por estelionato.

Depois de ele ser levado para a cadeia, o Conselho Tutelar decidiu recolher a criança e deixá-la aos cuidados do órgão por causa do inquérito policial de subtração de incapaz.

Na quarta-feira (4), o advogado de Raul entrou com pedido à Justiça para que o pai retirasse a criança do abrigo e que apenas ele tivesse a guarda dela. O pedido de liminar foi negado.

De acordo com Raul, a filha e Taina foram levadas para o interior de SP pelo Conselho Tutelar de São Luís. Para ele, é um alívio ter a filha de volta.

“O reencontro foi emocionante. Estou muito aliviado e toda a família também. A Sofia e a Taina estão bem, isso que importa”, diz.

Sobre o que Taina alegou em relação ao que pode ter ocorrido e se ela ficará na casa, o marido não quis comentar.

“Prefiro não comentar agora. Não quero resolver neste momento isso e, sim, curtir minha filha. Sei que a Taina só falará com todos depois de prestar depoimento”, afirmou.

De acordo com o delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Acácio Leite, a jovem prestará depoimento para a Polícia Civil para a conclusão do inquérito. Porém, ela precisa se apresentar na delegacia.

“Ainda não temos posição sobre o que realmente houve. Assim que eu ouvi-la poderemos entender e ter oficialmente se ela fugiu ou foi ameaça. Mas ela precisa se apresentar, pois é considerada sumida. E continuamos com a mesma linha de investigação de que não se tratou de um sequestro porque não houve pedido de resgate e nem provas de cárcere privado”, afirma.

Taina de Queiroz Mendes desapareceu com a filha de oito meses — Foto: Reprodução

Entenda o caso

  • Raul Kennedy da Silva, a mulher, Taina Queiroz e a filha de 8 meses viviam em Pilar do Sul (SP). Ele viajou a trabalho e, quando retornou, não encontrou Taina e a bebê em casa.
  • Em 3 de novembro, Silva registrou um boletim de ocorrência e disse que recebeu mensagens de seu ex-patrão Luis Fernando Lourenço, dizendo que Taina estava com ele por vontade própria e que ela e a bebê estavam bem.
  • A polícia abriu inquérito para investigar o caso. Como não havia pedido de resgate, o caso foi registrado inicialmente como desaparecimento.
  • A família de Taina recebeu vídeos da jovem, em que ela aparecia ao lado da criança e dizia estar feliz. Parentes viram sinais de nervosismo e ameaça nos vídeos.
  • Em 28 de novembro, a polícia retificou o BO e passou a investigar o caso como subtração de incapaz.
  • Lourenço era procurado pela polícia por estelionato há cerca de um ano e foi preso no sábado (1º) em São Luís (MA).
  • Taina e a filha voltaram para Pilar do Sul em 11 de dezembro. Dias antes, a reportagem do G1 recebeu um vídeo em que ela acusa o marido de traição e de agredi-la.

Prisão

Luis Fernando Lourenço já tem passagens na polícia por estelionato — Foto: Arquivo Pessoal

Luis Fernando Lourenço já tem passagens na polícia por estelionato — Foto: Arquivo Pessoal

Segundo o delegado Acácio Leite, Luis Fernando Lourenço foi preso durante a madrugada do dia 1° de dezembro após denúncia feita para a Polícia Militar.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) a prisão ocorreu pouco depois dele ter sido reconhecido enquanto comprava comida perto de uma pousada na Praia do Calhau, em São Luís, onde estava hospedado com Taina e a criança. Luis foi levado para a penitenciária de Pedrinhas.

Luis Fernando estava foragido da Justiça há cerca de um ano, segundo a Polícia Civil. Ele esteve preso em 22 de outubro de 2013 pelo artigo 158, que é constranger alguém mediante violência. Mas, segundo o órgão, foi solto no dia 23 de outubro.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Luis foi condenado por estelionato a cumprir pena de prestação de serviços à comunidade, porém não cumpriu a determinação. Por isso, constava como foragido.

Luis também é procurado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí (SP) por se passar por repórter em um supermercado da cidade, em abril de 2017, para forjar uma denúncia e extorquir o comércio.

Segundo a investigação, Luis Fernando Lourenço foi até o estabelecimento na noite de 1º de abril do ano passado, adulterou a validade de uma peça de carne e alegou ao gerente que era jornalista.

Câmera de segurança gravou Luis dentro do mercado em Jundiaí, em 2017  — Foto: Arquivo pessoal

Desaparecimento

O sumiço da mãe e da filha foi registrado no dia 3 de novembro. O marido da jovem conta que viajou a trabalho para Castilho (SP) e, quando retornou para casa, não encontrou mais as duas.

“Cheguei e não estavam em casa. Fizemos buscas, mas nada. Não atendeu o telefone e ninguém sabia delas. Fiquei desesperado. Foi então que meu ex-patrão mandou mensagem dizendo que estava com as duas e que elas estavam felizes. Mas ela não me deixaria. Estávamos bem e tenho certeza que ele as raptou”, disse na época ao G1.

Taina Queiroz ao lado da filha de 8 meses — Foto: Arquivo Pessoal/Raul Kennedy da Silva

Taina Queiroz ao lado da filha de 8 meses — Foto: Arquivo Pessoal/Raul Kennedy da Silva

Raul ainda afirmou que conheceu o ex-patrão Luis Fernando Lourenço há quatro meses, em Sorocaba (SP). Ele se apresentou como cantor e empresário, e ofereceu emprego para o rapaz entregar outdoor em cidades do interior de São Paulo.

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Sorocaba abriu inquérito policial para investigar o caso do sumiço das duas.

Porém, no dia 28 de novembro o delegado Acácio Leite informou que passou a tratar o caso de sequestro para subtração de incapaz após vídeos enviados pelo suspeito mostrar que Taina estava bem e que estaria com ele por vontade própria.

De acordo com Raul, vídeos foram encaminhados por Luís Fernando para ele e parentes logo após o desaparecimento da esposa e filha.

Fonte: g1.globo.com