Caso Taina: Ao lado do marido, jovem diz que fugiu sob ameaça e comemora volta para casa: ‘Aliviada’

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Segundo a Polícia Civil, inquérito policial de subtração de incapaz será arquivado; Luis Fernando Lourenço continua sendo investigado. Mãe e filha ficaram longe mais de um mês e retornaram ao interior de SP no dia 11 de Dezembro.

Taina Queiroz e o marido Raul da Silva — Foto: Paola Patriarca/G1

Ao lado do marido Raul da Silva, a jovem Taina Queiroz, de 18 anos, moradora de Pilar do Sul (SP), falou pela primeira vez sobre ter deixado a família e levado a filha há mais de um mês, quando foi encontrada em São Luis (MA).

O caso foi apresentado pela polícia em uma coletiva de imprensa realizada na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Sorocaba (SP) na tarde desta segunda-feira (17).

Segundo Taina, ela foi ameaçada pelo ex-patrão do esposo, Luis Fernando Loureço, para não voltar para a casa e até coagida para gravar vídeos em que falava que fugiu por conta própria.

“O Luis Fernando falou que ia me levar para encontrar o Raul. Então, entrei no carro acreditando nisso. De repente percebi que não era para Castilho que estávamos indo, mas para Sorocaba. Nisso, ele tirou meu celular e dizia que não era para voltar para a família porque o Raul estava me traindo e difamando”, afirma.

Taina e a filha desapareceram no dia 3 de novembro. O marido suspeitava que elas tivessem sido sequestradas pelo ex-patrão dele, Luis Fernando Lourenço. As duas foram localizadas no dia 1° de dezembro após uma denúncia à polícia do Maranhão e a prisão de Luis, foragido da Justiça por estelionato.

Longe de casa, a Taina chegou a gravar vídeos falando que estava bem e que tinha saído de casa por conta própria. Em um deles disse que o Raul (marido) tinha a agredido e que estava bem.

“Eu me senti triste em falar aquilo, porque não era verdade. Eu sabia que não era verdade. E com o tempo achava que nunca mais ia ver minha família”, afirma.

Depois de ele ser levado para a cadeia, o Conselho Tutelar decidiu recolher a criança e deixá-la aos cuidados do órgão por causa do inquérito policial de subtração de incapaz. No dia 11 de dezembro, as duas retornaram para Pilar do Sul e Luis Fernando foi solto da prisão para responder o crime em regime aberto.

Taina Queiroz se emocionou ao falar do caso junto o marido, Raul da Silva, e o advogado Alexandre Amaral — Foto: Paola Patriarca/G1

Taina relatou que durante as viagens com Luis Fernando ela ficava no quarto do hotel e dormia praticamente o dia todo. A jovem conta que tentou pedir ajuda uma vez, mas que Luis ameaçou de tirar a filha.

“Eu ficava dormindo o dia todo e uma vez fui até uma moça da recepção pedir ajuda. Foi então que ele viu e me ameaçou. Eu fiquei com muito medo. Ele dizia que o Raul estava me traindo, falando mal de mim e que não era para voltar. Ele me jogava contra a família e não me deixava entrar em contato com ninguém e nem ver televisão, internet”, alegou ao G1.

A polícia acredita que Taina pode ter sido dopada no período em que ficou com Luiz Fernando. um exame foi pedido para avaliar se comprova essa versão.

Taina falou sobre o caso ao lado do marido em coletiva de imprensa na DIG de Sorocaba — Foto: Paola Patriarca/G1Taina falou sobre o caso ao lado do marido em coletiva de imprensa na DIG de Sorocaba — Foto: Paola Patriarca/G1

Taina falou sobre o caso ao lado do marido em coletiva de imprensa na DIG de Sorocaba — Foto: Paola Patriarca/G1

Ainda segundo a jovem, Luis Fernando afirmava que era para ir para longe para que os dois pudessem ficar juntos. Porém, ela suspeita de que ele tenha usado seu nome para praticar estelionatos.

“Ele voltava sempre com dinheiro e acredito que ele tenha usado meu nome. Ele nunca me agrediu ou abusou, mas é uma pessoa perigosa. Agora estou aliviada e muito feliz em voltar para a casa. Quero ter minha vida de volta com meu marido e filha”, afirma.

O marido também comemora o retorno da esposa. “Estou muito feliz que tudo terminou bem com as duas ao meu lado.”

Investigação

Polícia Civil vai arquivar inquérito policial por subtração de incapaz — Foto: Paola Patriarca/G1

Polícia Civil vai arquivar inquérito policial por subtração de incapaz — Foto: Paola Patriarca/G1

De acordo com o delegado Acácio Leite, o inquérito de subtração de incapaz será arquivado, já que não houve crime por parte da mãe. Porém, a Polícia Civil continuará investigando Luis Fernando.

“Continuaremos com a investigação contra Luis Fernando. Ele pode responder por ameaça ou até Lei Maria da Penha”, afirma.

Além disso, a Polícia Civil vai investigar possíveis crimes de estelionato cometidos por Luis Fernando durante o período em que esteve com Taina.

“Temos informações de estelionato em hoteis, dele se apresentar como cantor sertanejo falido para pedir dinheiro e outros estelionatos cometidos na região. Então, isso também vai continuar sendo investigado”, ressalta.

Taina Queiroz ao lado do marido, Raul Kennedy da Silva, e da filha de 8 meses. A jovem de 18 anos e bebê estavam sumidas desde 3 de novembro — Foto: Reprodução/Facebook