AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA! O preço que a Portuguesa está pagando pelo total desprezo á família do craque Denner

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22 anos depois, família tem saudades de Denner: só sobrou um quadro, uma música e o YouTube

22 anos depois da morte de Dener, um dos grandes astros do futebol brasileiro nos anos 90, a viúva do jogador, Luciana Gabino, não guarda muitas lembranças materiais do marido. A mais forte é a música Let’s get it on, de Marvin Gaye, que embalou o namoro do casal desde a adolescência até o dia 19 de abril de 1994, quando o atacante morreu em um acidente de carro, no Rio de Janeiro. Ele tinha 23 anos e a promessa de uma carreira brilhante pela frente.

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“Quando éramos um casal de namorados, íamos muito para festa, baile… Teve até essa música que nos marcou…”, contou Luciana, em conversa com o ESPN.com.br, na qual lembrou até mesmo o primeiro encontro com aquela que seria sua grande paixão da adolescência e da vida.

“Tínhamos uma amiga em comum. Ele falou de mim para essa amiga, mas não me interessei por ele na hora. Mas ele ficou insistindo… Só depois de muito tempo comecei a conversar. Aí depois começamos a namorar depois de um tempo”, relatou.

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O casal se conheceu quando ela tinha 13 anos. Aos 15, começaram a namorar.

Mesmo sem ser fã de futebol, Luciana guardou diversas recordações dos poucos, mas brilhantes anos de Dener como jogador profissional. Camisas da Portuguesa, Vasco e Grêmio, times pelos quais o atacante passou, e também de outros clubes, trocadas com os adversários ao final das partidas. 22 anos depois, porém, nada mais restou. As peças, junto com medalhas e outras condecorações, foram dadas a parentes e amigos, que também queriam um momento.

Tudo o que restou foi um quadro.

Na foto, Dener levanta a Taça Guanabara, conquistada pelo Vasco em cima do rival Fluminense, após goleada por 4 a 1, no Maracanã. O sorriso largo, enfeitado por seu famoso bigodinho, não deixa dúvidas da felicidade do atleta naquele momento. Era o dia 3 de abril de 1994.

O PREÇO DA INGRATIDÃO:

Portuguesa perde para o Tombense e está rebaixada para a Série D do Brasileiro

A última rodada da fase classificatória do Grupo B da Série C do Campeonato Brasileiro determinou o pior vexame da história da Portuguesa, que chegou ao fundo do poço na tarde deste domingo ao ser rebaixada para a SÉRIE D.

Considerada a quinta força do Estado de São Paulo, a tradicional Portuguesa foi derrotada por 2 a 0 pelo Tombense, no Almeidão, e se despediu da terceira divisão na vice-lanterna, com 14 pontos somados. O rebaixamento é o desfecho de uma decadência que começou com a queda da Série A, em 2012. Enquanto isso, mesmo com a vitória, os adversários não conseguiram a classificação para as quartas de final da Série C e terminam na quinta colocação de sua chave, com 29 pontos.

16 dias depois, Dener andava de carro, com seu amigo Oto Gomes comandando o volante. O veículo perdeu o controle e bateu em uma árvore na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. O jogador morreu sufocado pelo cinto de segurança.

“A minha avó, quando vem aqui em casa, sempre pede pra guardar o quadro, porque não gosta de ver. Ela nunca se recuperou disso”, diz Dênis, de 24 anos, o mais velho dos filhos do casal Dener e Luciana. Quando seu pai morreu, ele tinha apenas um ano.

Só pelo YouTube
O filho mais novo de Dener tem 20 anos e possui o nome do pai: Dener Matheus. Junto com Dênis e Felipe, o do meio, ele compõe a trinca de filhos do ex-jogador. Apaixonados pela bola, tentaram seguir os passos do craque e virar jogadores, mas desistiram.

“Eu não lembro nada do meu pai, infelizmente. Era muito novo quando aconteceu…”, diz Dênis.

“Eu também não”, completa Felipe.

Dener Matheus estava trabalhando e não pode participar da entrevista. Ele quer se formar em direito, mas ainda não está 100% certo. Felipe quer fazer educação física, e Dênis planeja se formar em turismo, mas antes quer morar uns tempos na Austrália.

Graças à tecnologia, porém, a memória de Dener não foi perdida. Seus filhos assistem aos lances do pai pelo YouTube. Dribles desconcertantes eram a marca registrada do atacante, que por vezes era criticado por preferir um lance plástico ao invés de mandar de “bico” para o gol.

Foi assim, porém, que ele fez muito sucesso por Portuguesa, Grêmio e Vasco. Quando morreu, estava com a transferência para o Stuttgart, da Alemanha, praticamente acertada.

“Vejo os lances do meu pai e tem jogo que só faltava ele fazer chover. O pessoal o compara muito com o estilo de jogo do Neymar, mas eu digo que ele era melhor”, crava Dênis.

Com a bola nos pés, os três irmãos hoje são fãs da “pelada”. Felipe e Dener Matheus, inclusive, jogam na várzea, na equipe da Vila Ede, onde Dener nasceu e foi criado. O time foi reativado recentemente, e hoje disputa a seletiva da Copa Kaiser, um dos mais importantes torneios amadores do Brasil.

20 anos depois da morte do craque, os filhos falam com tranquilidade da morte do pai que “não conheceram”. Hoje, reconhecem a importância daquele que foi um dos maiores jogadores que o futebol perdeu cedo demais.

“Muita gente que eu nem conheço me adiciona no Facebook para falar do meu pai. Esses dias um rapaz de Ji-Paraná, em Rondônia, pediu amizade e eu aceitei. Ele veio me falar que se chamava Dener, porque o pai dele era fã do meu pai. Achei muito legal”, conta Dênis.

“Quando eu vejo coisas como essas, parece que meu pai ainda está vivo…”

 

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